Passeio noturno de bonde no México relembra personagens do passado

Tradição, superstição e história confluem nas ruas da cidade do México em um percurso noturno em bonde que relembra os fatos e os personagens do passado reconvertidos em lendas.

Os visitantes descobrem o passado e o presente dos lugares mais emblemáticos do centro histórico da capital mexicana em companhia de dois guias tão ilustres como o Conde de Toriello e o Duque de Villafermosa, dois personagens “ressuscitados” do século XVIII.

Vestidos com as roupas da época, os dois nobres compartilham com os presentes seus conhecimentos e se surpreendem com as mudanças que a cidade experimentou nos últimos três séculos.

“O objetivo é conhecer as antigas ruas da cidade do México e os personagens que as habitaram, assim pois aparecem fantasmas, hereges, bruxas e inquisidores”, assegura o Duque de Villafermosa, interpretado por Francisco Ibarlucea.

Na parte de cima do veículo, a céu descoberto, ou na de baixo, resguardados do frio, os viajantes podem contemplar prédios tão representativos da capital como o Palácio de Belas Artes, a Torre Latino-Americana e o Convento de São Hipólito e imaginar como eram esses lugares séculos atrás. Só os galhos das árvores ou alguns cabos de eletricidade que ficam pendurados baixos demais devolvem aos viajantes à realidade e lhes obrigam a se agachar para desviar deles.

O percurso finaliza no recinto do Museu Panteão de San Fernando, onde entre ciprestes e lápides são representadas teatralmente algumas das lendas mais populares do México, como a do “Tapado”, um homem misterioso que aparecia na Nova Espanha totalmente encadeado e com o rosto oculto após uma camada negra.

Ou a história da “Bruxa Hipólita”, uma velha alta, esquálida e sem dentes, de quem se dizia que apenas com o olhar podia maldizer, e que viveu na rua da Boa Morte, agora conhecida como Quinta de São Jerônimo.

Também não faltou o relato intitulado “Delito com seu castigo”, cujo protagonista, um homem atormentado pelos ciúmes, invocou o diabo e lhe vendeu sua força de vontade, por já lhe ter entregado anteriormente sua alma por dinheiro.

Durante algo mais de uma hora, histórias, fábulas e fatos, interpretados por um amplo elenco de atores e atrizes, transportam o espectador até os séculos XVI, XVII e XVIII.

A Santa Inquisição, a bruxaria e o inferno são alguns dos temas mais recorrentes das lendas que cobram vida à luz da lua neste lugar, ideal para os relatos de medo.

“Estas histórias cumprem uma função primordial dentro da cultura. Antes eram transmitidas por nossas avós e nos cativavam e transmitiam conselhos”, explica o narrador, vestido com roupa de frade, junto à entrada do panteão.

Este trajeto, denominado “Fatos e Fantasmas do México Antigo”, faz parte do programa “Passeios Culturais em Bonde”, impulsionado pela Secretaria de Cultura da cidade do México, ao qual se somam oito percursos permanentes e cinco realizados em temporada, todos eles de temática variada.

Além de ressuscitar as histórias do México antigo, o programa rende uma homenagem ao papel que os bondes tiveram na cidade no final do século XIX e princípios do XX, quando se destacaram por ser um sistema de “vanguarda tecnológica”.

Apesar de um dos guias, o Conde de Toriello, ao qual dá vida Héctor Macías, lembra que infelizmente nem ele nem o Duque de Villafermosa viveram para ver esta forma de transporte: “Já sabem, nós somos do século XVIII”.

Segundo os organizadores, cerca de 86 pessoas assistem a cada mês a esta atividade realizada uma vez por semana e que recebe turistas e moradores interessados nas lendas do México antigo.

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